Brasil Área de vegetação
Desmatamento no Brasil cai em 2025, mas segue concentrado no Cerrado e na Amazônia
País registra redução anual, enquanto avanço agropecuário permanece como principal causa da perda de vegetação nativa
01/06/2026 11h00
Por: Redação Fonte: Redação
Área de vegetação nativa impactada por desmatamento em região de expansão agropecuária no Brasil I Foto: Palê Zuppani / ICMBio

Após alguns anos, o país voltou a registrar um volume anual de supressão de cobertura natural inferior a um milhão de hectares. Dados mais recentes apontam que a área afetada em 2025 ficou em pouco menos de 985 mil hectares, indicando uma retração superior a 20% na comparação com o período anterior.

A redução foi observada em todos os grandes ecossistemas brasileiros. A planície alagável apresentou o recuo mais expressivo proporcionalmente, com diminuição próxima da metade em relação ao ano anterior. Apesar disso, a savana brasileira segue concentrando a maior extensão impactada, mantendo-se como a região com os índices mais elevados de perda de vegetação no país.

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Mesmo com a retração registrada, o ritmo de supressão da cobertura natural ainda se manteve elevado ao longo do período analisado. A média diária ficou próxima de 2,7 mil hectares, o que corresponde a mais de uma centena de hectares por hora. Para efeito de comparação, o volume equivale à eliminação diária de diversas áreas de grande porte em centros urbanos.

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No acumulado dos últimos anos monitorados, a perda de áreas nativas ultrapassa a marca de 10 milhões de hectares em todo o território nacional. A dimensão total supera a extensão territorial de unidades federativas brasileiras, evidenciando a escala significativa do avanço sobre os ecossistemas naturais.

Os dois principais ecossistemas do país concentraram a maior parte das áreas impactadas no período analisado, respondendo juntos por mais de quatro quintos da perda total registrada. A região de savana brasileira manteve a liderança isolada, reunindo mais da metade de toda a extensão afetada, mesmo com retração em comparação ao ciclo anterior e com uma média diária significativa de áreas convertidas.

Já a floresta tropical apresentou redução mais acentuada no comparativo anual, embora ainda registre um volume elevado de áreas comprometidas, com centenas de hectares impactados diariamente. O levantamento também indica que ambientes de vegetação aberta seguem sendo os mais pressionados no país, liderando pelo terceiro ano consecutivo entre os tipos naturais mais atingidos, enquanto áreas florestais aparecem na sequência.

A análise detalha ainda diferenças regionais no padrão de conversão da cobertura vegetal. Em algumas regiões, prevalece a retirada de áreas densamente arborizadas, enquanto em outras há maior incidência sobre formações mais abertas, evidenciando características distintas do avanço sobre os ecossistemas em cada bioma brasileiro.

A área formada por estados do Norte e Nordeste, conhecida por sua forte expansão agropecuária, concentrou a maior parte das ocorrências registradas no país, reunindo mais de 60% das perdas totais. Esse conjunto de unidades federativas lidera o ranking nacional de áreas impactadas no período mais recente.

No recorte histórico dos últimos anos, um estado da região Norte aparece com o maior volume acumulado de supressão de cobertura natural, ultrapassando a marca de milhões de hectares convertidos. Apesar disso, no comparativo mais recente, houve redução significativa em relação ao período anterior, indicando mudança no ritmo de avanço.

Outras unidades federativas também apresentaram diminuições expressivas em termos absolutos, com recuos superiores a dezenas de milhares de hectares. Em alguns casos, a retração ultrapassou a metade do volume anteriormente registrado, demonstrando uma tendência de queda mais acentuada em determinadas regiões do país.

A principal causa da perda de cobertura natural no país segue ligada à ampliação de atividades rurais, responsável por praticamente toda a área convertida nos últimos anos e mantendo predominância quase total no período mais recente. Outras pressões também foram identificadas, como a extração mineral em áreas específicas da região Norte e projetos voltados à geração de energia, concentrados em áreas do Nordeste.

O avanço de áreas urbanizadas também apresentou crescimento no comparativo anual, com maior incidência em regiões de expansão populacional e econômica. Ao mesmo tempo, a concentração geográfica das perdas permanece elevada, com destaque para uma área que reúne estados do Centro-Norte do país, responsável por parcela significativa da supressão registrada, especialmente em áreas de vegetação de savana.

Os dados apontam ainda que milhares de municípios tiveram ao menos um registro validado de conversão de cobertura natural, com destaque para uma cidade do Nordeste que liderou o ranking anual, apresentando grande extensão impactada e média diária elevada. Um grupo reduzido de municípios concentrou parte relevante das ocorrências, reforçando a concentração territorial do fenômeno.

Mesmo consideradas como áreas mais protegidas, unidades de conservação e territórios tradicionalmente ocupados registraram perdas, embora com redução em relação ao período anterior. Em regiões oficialmente destinadas à preservação integral, a queda foi ainda mais expressiva, enquanto áreas de uso sustentável concentraram a maior parte das ocorrências dentro dessas categorias.

Nos territórios indígenas, também houve diminuição na área afetada, embora parte dessas regiões ainda registre ocorrências recorrentes ao longo dos anos. O conjunto de dados evidencia que, apesar da tendência de redução, o avanço sobre a vegetação nativa segue distribuído em diferentes frentes e níveis de intensidade em todo o país.

 

Da redação JPN Palmas (TO).