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Brasil registra primeiros nascimentos da raça bovina Boran após mais de 30 anos sem novas introduções

Genética africana chega ao país para complementar rebanhos, com foco em produtividade, adaptação climática e sustentabilidade

Por: Redação Fonte: Redação
22/05/2026 às 11h00
Brasil registra primeiros nascimentos da raça bovina Boran após mais de 30 anos sem novas introduções
Primeiros bezerros da nova raça nascem no país após processo de importação de material genético e adaptação ao rebanho nacional

Nos últimos dias, foram registrados no país os primeiros nascimentos de animais de uma linhagem bovina inédita no território nacional em mais de três décadas. O material genético, vindo de outro país da América do Sul e com origem africana, começa a chamar a atenção de produtores rurais interessados em melhorar o desempenho dos rebanhos, especialmente em aspectos como adaptação ao clima, eficiência produtiva e manejo mais sustentável.

Durante um programa especializado em agronegócio, um criador com formação em saúde animal destacou os benefícios da introdução dessa genética, explicando como a iniciativa pode contribuir para o desenvolvimento da pecuária no Brasil e gerar impactos positivos para o setor em diferentes regiões.

A introdução dessa linhagem no país é resultado de um processo iniciado há mais de duas décadas, quando o interesse surgiu por meio de pesquisas online e evoluiu para visitas técnicas a rebanhos no exterior, incluindo passagens por propriedades na Oceania e no continente africano. Apesar do planejamento inicial ter enfrentado entraves burocráticos que impediram a continuidade naquele momento, o projeto foi retomado após a identificação de criadores em país vizinho que já trabalhavam com essa genética.

A partir desse contato, iniciou-se um esforço para viabilizar a entrada do material no Brasil, incluindo a criação de regras específicas para importação, etapa que levou alguns anos até ser autorizada. Com a liberação, foi possível trazer dezenas de embriões, marcando a chegada de uma nova variedade ao território nacional, algo que não ocorria desde a década de 1990 no grupo zebuíno.

A nova genética chega com a proposta de atuar de forma complementar a uma raça já consolidada no país, reconhecida pela adaptação às condições locais, mas que também apresenta limitações produtivas. A estratégia defendida por criadores é aproveitar a base já existente e incorporar características externas que possam elevar o desempenho do rebanho.

Nesse contexto, a linhagem recém-introduzida se destaca por sua vocação para produção de carne, com porte intermediário e estrutura corporal voltada à eficiência. Diferente de outros animais de corte criados no Brasil, que costumam apresentar maior tamanho corporal, essa alternativa aposta em equilíbrio entre crescimento e rendimento, buscando melhor aproveitamento na produção pecuária.

A linhagem também se destaca por apresentar alta capacidade reprodutiva e longa vida produtiva, com registros em outros países de fêmeas que continuam gerando crias mesmo após muitos anos. Outro diferencial está na resistência a condições adversas, conseguindo se desenvolver em ambientes com temperaturas extremas, alimentação limitada e até restrições hídricas, o que amplia seu potencial de uso em diferentes regiões. Além disso, apresenta bom desempenho na relação entre peso da matriz e do bezerro desmamado, fator relevante para a eficiência por área na pecuária.

Diante das variações climáticas observadas globalmente, com períodos de seca e irregularidade nas chuvas, a introdução dessa genética é vista como alternativa para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos. Originada de regiões com condições desafiadoras, a raça passou por décadas de seleção voltada à adaptação e desempenho. Com o uso de tecnologias avançadas de reprodução já consolidadas no Brasil, como a transferência de embriões, a expectativa é desenvolver características ajustadas às condições locais, considerando as diferenças entre os ambientes brasileiros e africanos ao longo do tempo.

A busca por sistemas produtivos mais equilibrados tem levado produtores a adotar modelos que priorizam a adaptação dos animais às condições naturais, reduzindo a necessidade de grandes intervenções no ambiente. Nesse contexto, a nova genética é vista como uma alternativa capaz de contribuir para práticas mais sustentáveis no campo.

Testes já vêm sendo realizados com cruzamentos em sistemas de maior intensidade, utilizando técnicas como inseminação, com resultados considerados positivos até o momento. Embora tenha sido selecionada inicialmente pela resistência em regiões de maior dificuldade, a linhagem também apresenta bom desempenho quando inserida em sistemas com melhor oferta alimentar, reforçando a importância da combinação entre herança genética e manejo nutricional para a qualidade final da produção.

 

Da redação JPN Campinas (SP).

 

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