
O empresário Mauricio Camisotti prestou depoimento à Polícia Federal na terça-feira (24), no contexto das tratativas para um possível acordo de colaboração no inquérito que apura irregularidades envolvendo descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social.
As negociações com a corporação tiveram início no começo do ano, após uma série de diligências realizadas por investigadores desde o final do ano anterior, conforme divulgado por reportagens.
Na segunda-feira (23), ele foi transferido de uma unidade prisional em Guarulhos para a sede da Polícia Federal em São Paulo, em procedimento realizado em entendimento com sua equipe de defesa.
A mudança de local teve como finalidade agilizar as tratativas com a Polícia Federal para a formalização de um acordo de colaboração. Com a permanência na unidade da instituição, o investigado passa a ter contato mais próximo com delegados e equipes responsáveis pela condução do processo.
Outras oitivas ainda devem ocorrer, com previsão de apresentação de documentos e validação de informações relacionadas a datas e movimentações financeiras.
Mauricio Camisotti é citado pelos investigadores como um dos principais envolvidos no chamado núcleo financeiro das irregularidades ligadas a descontos associativos aplicados a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social. Ele foi detido na mesma ocasião que Antônio Camilo Antunes, que permanece sob custódia.
Na etapa anterior da investigação, a Polícia Federal recolheu mais de R$ 2 milhões em ativos, incluindo veículos de alto padrão, motocicletas, peças artísticas e outros bens de valor.
No âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, parlamentares indicaram que o grupo familiar ligado a Mauricio Camisotti teria movimentado montantes superiores aos atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, até então apontado como principal operador financeiro do esquema.
De acordo com os integrantes da comissão, Paulo Camisotti, filho e sócio do investigado, seria responsável por papel central na estrutura utilizada para operacionalizar as irregularidades.
O relator do colegiado, Alfredo Gaspar, afirmou que a atenção inicial concentrada em Antônio Carlos Camilo Antunes acabou reduzindo o foco sobre a atuação da família, que, segundo ele, teria movimentado valores significativamente superiores.
De acordo com o deputado Alfredo Gaspar, três organizações sob apuração teriam transferido, em conjunto, mais de R$ 800 milhões, dos quais aproximadamente R$ 350 milhões teriam sido destinados a empresas vinculadas à família de Mauricio Camisotti.
O parlamentar afirmou que a atuação do grupo familiar teria superado, em volume de recursos, a de Antônio Carlos Camilo Antunes, que vinha sendo apontado como principal operador financeiro do esquema, destacando que a atenção inicial ao investigado acabou desviando o foco sobre outros envolvidos.
Procurada, a defesa de Mauricio Camisotti não se manifestou sobre as negociações em andamento.
Da redação JPN Brasília DF.
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