
Características de determinados ambientes naturais presentes no bioma do centro do país, reconhecidos por áreas com vegetação de porte baixo a médio e por solos constantemente úmidos, ricos em matéria orgânica. Essas formações possuem condições naturais que favorecem o acúmulo de grandes quantidades de material orgânico abaixo da superfície, funcionando como importantes reservatórios naturais de carbono.
Uma pesquisa conduzida por cientistas do Brasil e de outros países analisou essas áreas e identificou que as camadas profundas do solo podem armazenar volumes muito elevados desse elemento químico. De acordo com o estudo, o material orgânico acumulado no subsolo pode alcançar profundidades de até quatro metros, concentrando grande quantidade de carbono em cada hectare dessas formações naturais.
Segundo a pesquisadora Larissa Verona, responsável principal pelo estudo, a quantidade encontrada nesses ambientes subterrâneos supera amplamente o volume armazenado na vegetação de florestas tropicais. O trabalho, desenvolvido durante sua pesquisa acadêmica no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e foi aceito para publicação na revista científica New Phytologist.
Determinados ambientes naturais presentes no interior do país são caracterizados por áreas permanentemente úmidas e com grande acúmulo de matéria orgânica no solo. Esses locais possuem condições ambientais específicas, como baixa circulação de oxigênio no subsolo, o que faz com que o material vegetal ali depositado se decomponha de forma extremamente lenta. Esse processo contribui para a formação de espessas camadas ricas em carbono, tornando esses ambientes importantes reservatórios naturais desse elemento.
Essas formações são amplamente conhecidas na cultura brasileira e ficaram especialmente marcadas na literatura por meio da obra do escritor João Guimarães Rosa, que retratou paisagens e características do interior do país em seus livros. No contexto científico, esses ambientes pertencem a um tipo específico de ecossistema caracterizado por solos encharcados e ricos em matéria orgânica acumulada ao longo de longos períodos.
Embora ocorram em diferentes regiões do planeta, áreas desse tipo ocupam apenas uma pequena parcela da superfície terrestre. Grande parte delas está localizada em regiões frias do hemisfério norte. Ainda assim, mesmo representando uma área relativamente pequena do globo, esses ambientes concentram uma parcela muito significativa do carbono armazenado nos solos do planeta, desempenhando papel relevante no equilíbrio climático global.
A pesquisadora Larissa Verona e sua equipe realizaram análises em amostras de solo coletadas em diferentes pontos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado no nordeste do estado de Goiás. O estudo investigou áreas naturais permanentemente úmidas presentes nesse bioma, permitindo avaliar a quantidade de carbono armazenada no subsolo dessas formações.
De acordo com os resultados da pesquisa, o material orgânico presente nessas camadas do solo vem se acumulando ao longo de aproximadamente 20 mil anos. A análise também indica que esse tipo de ambiente natural ocupa uma extensa área no bioma central do país, alcançando cerca de 16,7 milhões de hectares — dimensão comparável a aproximadamente dois terços do território do São Paulo.
A pesquisadora ressalta que esses ambientes são particularmente sensíveis a transformações ambientais. Entre os fatores que podem afetá-los estão a expansão de atividades agropecuárias sobre áreas naturais, o aumento das temperaturas e a redução do volume de chuvas. Segundo os cientistas, essas mudanças podem provocar maior liberação de carbono armazenado no solo para a atmosfera, alterando o equilíbrio ambiental dessas regiões.
Da redação JPN Palmas TO
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