Terça, 21 de Abril de 2026
28°

Parcialmente nublado

Palmas, TO

Internacional Aquífero submarino

Cientistas descobrem aquífero submarino que pode abastecer milhões

Expedição em Massachusetts investiga vasta reserva de água doce, revelando potencial e desafios para exploração

17/09/2025 às 07h00
Por: Redação Fonte: Redação
Compartilhe:
Pesquisadores da Expedition 501 coletam amostras de água doce em área submarina próxima a Cape Cod, estudando origem e composição do reservatório.
Pesquisadores da Expedition 501 coletam amostras de água doce em área submarina próxima a Cape Cod, estudando origem e composição do reservatório.

Uma equipe internacional de cientistas revelou a existência de uma extensa camada de água potável sob o leito do oceano próximo a Cape Cod, em Massachusetts. A descoberta indica que o reservatório pode se estender até estados como Nova Jersey e Maine, oferecendo uma possibilidade promissora para suprir a demanda crescente por água doce.

O achado surge em um momento de atenção global à escassez hídrica, despertando interesse tanto pelo seu potencial quanto pelos desafios de exploração. Embora o depósito possa abastecer milhões de pessoas, sua utilização em larga escala ainda depende de soluções para questões técnicas e impactos ambientais, exigindo estudos detalhados antes de qualquer aplicação prática.

A  pesquisa marítima inovadora revelou a presença de uma extensa camada de água potável sob o leito oceânico próximo a Cape Cod, em Massachusetts, com indícios de que ela se prolongue até Nova Jersey e Maine. A descoberta sugere a existência de uma fonte potencial capaz de fornecer água para milhões de habitantes, embora a utilização em grande escala ainda dependa de soluções para obstáculos tecnológicos e impactos ambientais.

O achado recente corrobora observações realizadas há cerca de cinco décadas, quando uma embarcação do governo dos Estados Unidos, investigando minerais e petróleo, encontrou água potável em camadas profundas do leito oceânico. Atualmente, uma equipe de pesquisadores de diversos países recolheu aproximadamente 50 mil litros dessa água, que passarão por análises detalhadas em laboratórios internacionais para determinar sua origem e características químicas.

Brandon Dugan, geofísico da Colorado School of Mines e co-líder da missão, destacou que essa formação submarina é apenas uma entre várias encontradas em áreas costeiras rasas ao redor do planeta. Ele ressaltou que o estudo desses reservatórios pode oferecer alternativas importantes para o fornecimento de água à população, enfatizando a necessidade de explorar todas as opções disponíveis para ampliar os recursos hídricos.

A pesquisa tem como objetivo identificar a origem da água encontrada, verificando se ela provém do derretimento de geleiras, de sistemas subterrâneos ligados ao continente ou de uma combinação de ambos. Durante a Expedition 501, os cientistas perfuraram até 400 metros abaixo do leito marinho, coletando amostras com níveis de sal muito baixos, comparáveis à água potável encontrada em terra firme.

O achado surge em um momento de preocupação global com a escassez hídrica. Estimativas da ONU indicam que, nos próximos cinco anos, a necessidade de água doce poderá superar a oferta em cerca de 40%. Fatores como o aumento do nível do mar e o consumo elevado de água por centros de dados — especialmente nos Estados Unidos — intensificam a pressão sobre os recursos. Na Virgínia, por exemplo, esses centros de dados já consomem em média a mesma quantidade de água que mil residências de tamanho médio, utilizando uma parcela significativa da energia do estado.

Casos recentes de escassez reforçam a urgência de explorar novas fontes de água. Um exemplo é a crise de 2018 na Cidade do Cabo, quando quase cinco milhões de habitantes ficaram à beira do colapso hídrico. Pesquisadores acreditam que outras regiões, como África do Sul, Havaí, Ilha do Príncipe Eduardo e Jacarta, também podem abrigar aquíferos submarinos ainda não estudados.

A Expedition 501, que envolveu um investimento de US$ 25 milhões e a participação de cientistas de mais de dez países, utilizou o Liftboat Robert — embarcação originalmente projetada para plataformas de petróleo, mas adaptada para perfuração submarina — para investigar o leito oceânico em busca de água doce. Jez Everest, do British Geological Survey, destacou que embora se saiba da existência de aquíferos desse tipo em outras regiões, nenhum projeto anterior havia feito uma análise direta. Estudos preliminares realizados em 2015, usando tecnologia eletromagnética, indicaram que esse reservatório pode ter dimensões comparáveis ao Ogallala, o maior aquífero dos Estados Unidos.

Nos próximos meses, a equipe de pesquisadores analisará a presença de microrganismos, a composição mineral e as propriedades químicas da água, além de investigar sua idade e capacidade de reposição natural. Segundo Brandon Dugan, a determinação do tempo de formação do reservatório indicará se a água é renovável ou se trata de um recurso limitado.

Especialistas chamam atenção para os desafios ambientais e legais associados à exploração desses aquíferos, incluindo a proteção dos ecossistemas marinhos e a definição de quem teria direito ao uso desse recurso. Rob Evans, geofísico de Woods Hole, alerta que a retirada de água desses depósitos poderia impactar aquíferos terrestres conectados e gerar efeitos inesperados. Após o período de coleta e análise, os resultados serão reunidos na Alemanha, reforçando que a procura por novas fontes de água doce exige cuidado científico e responsabilidade social, diante da crescente pressão sobre os recursos hídricos globais.

Da redação P&V Notícias  l  Ana Luiza Figueredo

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias