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Brasil Trabalhadores rurais

Déficit bilionário expõe falhas na previdência rural

Auditoria do TCU revela aumento de gastos, alta judicialização e fragilidades no controle de contribuições no sistema voltado ao campo.

02/09/2025 às 09h00
Por: Redação Fonte: Redação
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Trabalhadores rurais enfrentam incertezas em meio ao rombo crescente da previdência. l Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Trabalhadores rurais enfrentam incertezas em meio ao rombo crescente da previdência. l Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Brasil segue enfrentando uma dura realidade marcada pela corrupção, que mina a confiança da população e desgasta as estruturas do Estado. Recursos que deveriam garantir a sustentabilidade da previdência acabam desviados ou mal administrados, aprofundando a percepção de que o país se tornou um dos símbolos globais de má gestão e falta de controle sobre o uso do dinheiro público.

Nesse contexto, o sistema de seguridade rural tornou-se mais um exemplo das distorções. O volume elevado de despesas, somado às falhas de arrecadação e indícios de irregularidades, evidencia que valores expressivos deixam de cumprir seu verdadeiro propósito: assegurar proteção a quem vive do trabalho no campo. O resultado é um cenário de desequilíbrio que compromete tanto a confiança dos cidadãos quanto a saúde das contas públicas.

Uma análise feita pelo órgão de fiscalização apontou que o sistema voltado à seguridade dos trabalhadores do campo terminou o ano com um grande déficit financeiro. As despesas com pagamentos a agricultores familiares, pescadores de pequena escala, comunidades tradicionais e outros grupos ligados ao meio rural ultrapassaram em muito o montante arrecadado com contribuições específicas.

O estudo também revelou falhas estruturais no modelo adotado. Apenas uma pequena parcela das exigências avaliadas foi cumprida integralmente, enquanto a maioria apresentou execução parcial, o que demonstra falta de clareza sobre as origens do desequilíbrio e sobre a definição precisa do público beneficiado. A carência de informações detalhadas no cadastro oficial dos segurados, por sua vez, dificulta a comprovação do exercício das atividades e favorece o risco de distorções.

Outro ponto destacado pelo levantamento é a grande quantidade de processos na Justiça envolvendo benefícios rurais. No final de 2024, mais de um terço das concessões no campo ocorreu por decisão judicial, percentual muito superior ao registrado nas áreas urbanas. Essa realidade eleva os gastos e gera maior pressão sobre a estrutura previdenciária.

O órgão de controle também apontou perdas de arrecadação ligadas à informalidade e à falta de recolhimento de contribuições, estimadas em até alguns bilhões de reais no último ano. Criado na década de 1960, o sistema destinado ao trabalhador do campo foi sendo expandido ao longo do tempo. Entre 2015 e 2024, a quantidade de auxílios pagos avançou quase 50%, ultrapassando a marca de um milhão. Em 2023, os repasses rurais corresponderam a mais de um quinto do total de despesas da previdência nacional, reforçando o impacto sobre as contas do governo.

Diante da situação identificada, o órgão fiscalizador estabeleceu que a pasta responsável pela área previdenciária apresente relatórios regulares sobre o funcionamento do sistema voltado ao meio rural dentro de um prazo de seis meses. Também foi exigida a realização de análises conjuntas com a autarquia previdenciária e o fisco nacional para enfrentar a perda de receitas.

Além disso, o tribunal recomendou que o governo federal adote medidas para fortalecer a cobrança de contribuições dos trabalhadores enquadrados em regime especial e que promova uma reformulação ampla dessa política, tomando como base as fragilidades e evidências apontadas no estudo.

Da redação P&V Notícias  l  Agência Brasil

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