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Brasil Tarifa de Trump

Frigoríficos suspendem exportações após tarifa de Trump sobre carne brasileira

Medida anunciada pelo ex-presidente dos EUA já provoca impactos diretos em Mato Grosso do Sul e Goiás, com paralisações na produção e risco de queda nos preços no mercado interno.

23/07/2025 às 07h00
Por: Redação Fonte: Redação
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Frigoríficos em Mato Grosso do Sul e Goiás suspendem remessas aos EUA após nova tarifa de 50% imposta por Trump.
Frigoríficos em Mato Grosso do Sul e Goiás suspendem remessas aos EUA após nova tarifa de 50% imposta por Trump.

O anúncio feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa extra de 50% sobre produtos do setor agropecuário brasileiro começa a gerar impactos concretos em regiões do país fortemente dependentes dessas exportações. Estados como Mato Grosso do Sul e Goiás, conhecidos por sua significativa participação no mercado de carne bovina, já enfrentam efeitos diretos da medida, o que preocupa produtores e autoridades locais. A nova tarifa ameaça comprometer a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, afetando cadeias produtivas inteiras e colocando em risco empregos e receitas estaduais.

Em Mato Grosso do Sul, a reação à nova tarifa já se materializa com a paralisação temporária da produção de carne bovina voltada ao mercado norte-americano em quatro frigoríficos do estado. A informação foi confirmada pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Jaime Verruck, nesta terça-feira (15), que expressou preocupação com os efeitos imediatos da medida. A suspensão evidencia o impacto direto sobre a cadeia produtiva local e levanta alertas quanto às consequências econômicas para o estado.

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul, a suspensão da produção é uma estratégia logística adotada para evitar o acúmulo de estoques, já que a carne não poderá ser destinada ao mercado norte-americano diante da nova tarifa. A carne bovina desossada e congelada é um produto de destaque na pauta de exportações do estado, representando 45,2% do total exportado em 2025. Embora os Estados Unidos correspondam a apenas 7% do volume total de exportações de Mato Grosso do Sul, eles absorvem 15% das vendas externas de carne bovina local — um segmento considerado de alto valor agregado e importante para a rentabilidade do setor.

O secretário Jaime Verruck explicou que os abates voltados ao mercado americano estão sendo suspensos, já que os frigoríficos enfrentam dificuldades logísticas para redirecionar os embarques em curto prazo e já acumulam estoques. Ele também chamou atenção para o risco de uma pressão negativa sobre os preços internos, alertando que um possível desvio do excedente de carne ao mercado doméstico pode provocar queda no valor da arroba do boi. Situação semelhante se repete em Goiás, onde os Estados Unidos são o segundo principal destino da carne bovina produzida no estado, ficando atrás apenas da China e respondendo por 25% das exportações do setor. Segundo nota divulgada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), frigoríficos locais também interromperam parcialmente os embarques para o mercado norte-americano.

Para o governo de Goiás, os efeitos da nova tarifa ultrapassam os prejuízos imediatos aos exportadores diretos. Com a redireção da carne bovina a outros mercados — inclusive o interno —, há o risco de desequilíbrio nos preços em toda a cadeia produtiva, afetando tanto frigoríficos quanto pecuaristas. A nota da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) do estado também chama atenção para o impacto indireto sobre os insumos, destacando que o aumento da oferta de carne pressiona a demanda por grãos usados na alimentação animal, o que pode influenciar os preços desses produtos.

Diante do cenário adverso, o governo goiano tem intensificado os esforços diplomáticos, destacando a missão internacional em curso no Japão e a busca por novos mercados em negociações com outros países. Tanto para Goiás quanto para Mato Grosso do Sul, a medida anunciada por Donald Trump representa um desafio imediato, com implicações logísticas e econômicas significativas. O anúncio acende um alerta para o agronegócio brasileiro, que figura entre os setores mais diretamente afetados pelo novo “tarifaço” aplicado aos produtos do país.

Da redação P&V Notícias l Luis Roberto Toledo

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