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Crise yanomami se agrava e governo Lula é pressionado por inércia diante de novas imagens e denúncias

Procurador da República alerta para risco de investigação por genocídio enquanto desnutrição extrema e abandono persistem em 2024

15/07/2025 às 06h00
Por: Redação Fonte: Redação
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Crianças yanomamis em estado crítico de desnutrição evidenciam a urgência de ações efetivas do governo federal na região l Foto: Ricardo Stuckert/PR
Crianças yanomamis em estado crítico de desnutrição evidenciam a urgência de ações efetivas do governo federal na região l Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em 2023, a situação humanitária na Terra Indígena Yanomami atingiu níveis críticos, com um aumento alarmante de casos de desnutrição entre crianças, muitas delas em estado extremamente debilitado. Além da grave carência alimentar, surtos de malária e outras doenças infecciosas agravaram ainda mais o cenário, contribuindo para a elevação no número de óbitos.

Ao longo do ano, também se intensificou a degradação ambiental causada pela expansão do garimpo ilegal, que avançou sobre áreas preservadas do interior da Floresta Amazônica. Regiões antes intactas foram tomadas pela lama e pela contaminação, afetando rios e comunidades inteiras. De acordo com dados parciais divulgados pelo Ministério da Saúde, entre janeiro e novembro de 2023, foram registradas pelo menos 308 mortes. A expectativa é que, com a consolidação das informações, esse número ainda aumente.

A gravidade da situação na Terra Indígena Yanomami permanece em destaque em 2024, despertando preocupação tanto dentro quanto fora do Brasil. Embora a atual gestão federal tenha anunciado medidas voltadas ao enfrentamento da crise, os problemas persistem e seguem se agravando. A condução do tema tem gerado críticas, especialmente pela diferença no tratamento político dado ao assunto em comparação com o governo anterior.

Durante os quatro anos anteriores, lideranças políticas do atual presidente atribuíram ao ex-mandatário Jair Bolsonaro e à sua equipe a responsabilidade pelos impactos negativos observados na região, incluindo a omissão diante do avanço do garimpo ilegal e o abandono das políticas de saúde indígena. Agora, com Lula no segundo ano de mandato, há uma tentativa de evitar que o foco da crise recaia sobre sua gestão. No entanto, diante da continuidade dos casos de desnutrição, doenças e mortes entre os yanomamis, cresce a percepção de que há uma disparidade no julgamento político do problema. Os dados recentes reforçam a urgência de respostas efetivas, independentemente de disputas partidárias.

Nos últimos dias, registros visuais impactantes vieram a público, escancarando a dimensão da crise vivida por comunidades yanomamis. As imagens mostram crianças em estado de desnutrição extrema, com peso corporal muito abaixo do mínimo recomendado para suas respectivas idades. Um dos casos mais chocantes é o de uma criança com 1 ano e 9 meses que pesa apenas 5,3 quilos — um índice comparável ao de um bebê de aproximadamente 3 meses, de acordo com padrões estabelecidos por organismos internacionais de saúde.

Outros exemplos reforçam a gravidade da situação: uma menina de 4 anos aparece com peso de 6,7 quilos, o que seria aceitável apenas para um bebê de cinco meses. Em outra imagem, um menino de 11 anos é flagrado com apenas 15,4 quilos, um patamar de peso próximo ao que se espera de uma criança com pouco mais de dois anos. Esses dados, somados ao conteúdo visual amplamente compartilhado, servem como alerta sobre o estado crítico da saúde infantil nas áreas afetadas, revelando um quadro de abandono prolongado e de urgência humanitária.

O cenário de extrema vulnerabilidade enfrentado pelos povos yanomamis continua se aprofundando, mesmo após medidas emergenciais anunciadas pelo governo federal no início da atual gestão. Embora tenha havido o reconhecimento oficial da situação por meio da decretação de emergência em saúde pública, o avanço prático das ações tem sido considerado insuficiente diante da magnitude da crise.

Recentemente, o procurador da República em Roraima, Alisson Marugal, declarou publicamente que há uma percepção generalizada de paralisia nas ações por parte das autoridades federais. Segundo ele, a ausência de respostas concretas e eficazes pode levar a responsabilizações legais, inclusive contra integrantes do atual governo. O procurador mencionou que, da mesma forma que houve abertura de investigações para apurar possíveis crimes durante a gestão anterior, como no caso das denúncias contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, a atual administração também pode ser alvo de apurações, inclusive por possíveis práticas que se enquadrem como genocídio, dada a gravidade da omissão diante do sofrimento das populações indígenas.

Da redação P&V Nptícias  l   BBC News Brasil em Londres

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