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Agricultura Familiar Ovos no Brasil

Desafios e Soluções para a Produção de Ovos no Brasil

Especialistas destacam a importância da saúde intestinal das aves e estratégias de manejo para melhorar a produtividade no setor.

15/10/2024 às 10h30
Por: Redação Fonte: Redação
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A produção de ovos no Brasil cresce, mas enfrenta desafios relacionados à saúde das aves e à nutrição adequada.
A produção de ovos no Brasil cresce, mas enfrenta desafios relacionados à saúde das aves e à nutrição adequada.

Os ovos se destacam como um dos itens de origem animal mais comuns na dieta dos brasileiros, devido à sua facilidade de entrega e ao amplo uso em diferentes pratos. Por ser um ingrediente versátil, ele é frequentemente vendido em diversas receitas do dia a dia. Essa popularidade acaba impulsionando o crescimento da produção nacional.

De acordo com a Pesquisa Trimestral de Produção de Ovos (POG), publicada pelo IBGE em junho, a produção de ovos no Brasil alcançou um recorde no primeiro trimestre de 2024, com 893 milhões de dúzias. Esse número reflete um crescimento de 7,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior, com um aumento de 64 milhões de dúzias.

Para alcançar um aumento significativo na produção de ovos, é crucial que as galinhas poedeiras sejam saudáveis ​​e recebam uma nutrição adequada. De acordo com Monica Megumi Aoyagi, consultora técnica comercial da MCassab, diversos fatores podem comprometer o aproveitamento dos nutrientes e o desempenho das aves. Entre os principais desafios, estão os problemas entéricos, que podem ser causados ​​por diferentes patógenos. Na fase inicial da vida, as aves podem enfrentar a coccidiose, um protozoário que pode afetar níveis de desempenho e até causar mortalidade. Esse quadro pode ainda abrir caminho para outras complicações, como a enterite necrótica, causada pelo desequilíbrio do Clostridium perfringens, normalmente presente na flora intestinal.

Monica Megumi Aoyagi, da MCassab, ressalta que o Clostridium perfringens, além de fazer parte da flora intestinal das aves, também pode estar presente em materiais-primas, especialmente nas farinhas de origem animal. O desequilíbrio dessa bactéria costuma ser desencadeado por situações de estresse nas aves, o que afeta sua imunidade e reduz o consumo de alimentos. Estresses como altas temperaturas e manejo inadequado são fatores que podem contribuir para a queda da imunidade e causar disbiose, facilitando a proteção dessa bactéria no organismo das aves.

Para garantir a saúde do vegetal e enfrentar os desafios entéricos, a implementação de um programa eficiente de biosseguridade é crucial para alcançar uma produção eficaz e rentável. Monica Megumi Aoyagi destaca que o controle rigoroso do ambiente de criação, com limpezas e desinfecções regulares, é essencial. Ela menciona que aspectos como densidade, condições ambientais, e qualidade das matérias-primas devem ser cuidadosamente avaliadas, incluindo a seleção de fornecedores confiáveis ​​e o monitoramento do tempo de armazenamento. Esses cuidados combinados ajudam a minimizar riscos e manter a saúde das aves.

O controle da coccidiose durante as fases de criação e recria, que vai de 1 a 15 semanas, pode ser feito com o uso de anticoccidianos ou vacinas, garantindo a saúde do plantel de postura comercial. Além dessas medidas, aditivos alternativos, como prebióticos, probióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais, são ferramentas que ajudam a promover uma flora intestinal benéfica e fortalecer a imunidade das aves. Enzimas também são usadas para diminuir fatores antinutricionais e inibir a regulamentação de bactérias indesejadas, incluindo o Clostridium perfringens. A utilização dessas soluções específicas tem resultados positivos na redução de patógenos digestivos.

Os antibióticos promotores de crescimento, como a bacitracina, podem ser usados ​​preventivamente. No entanto, há evolução para enterite necrótica, o uso de medicamentos terapêuticos é mais eficaz no controle dessa condição.

O intestino desempenha um papel crucial na imunidade das aves, consumindo mais de 20% da energia bruta durante a digestão para sua manutenção. Qualquer fator que comprometa o funcionamento intestinal adequado pode variar de acordo com a conversão alimentar, resultando em impactos no crescimento e no desempenho geral das aves. Considerando que a nutrição representa cerca de 70% dos custos de produção, essa redução na eficiência pode causar perdas significativas, muitas vezes difíceis de quantificar. Como as aves de postura têm um ciclo de vida longo, os prejuízos podem se manifestar tanto na fase inicial de desenvolvimento quanto ao longo de sua vida produtiva.

Da redação Ponto Notícias l Com informação Fernanda Souza

 

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